Asma Felina



Natália dos Anjos Pinto


As doenças brônquicas cônicas em gatos ocorrem mais comumente em duas formas: bronquite crônica e asma. A asma é definida como um distúrbio das vias aéreas anteriores ocasionando limitação do fluxo de ar que pode se resolver espontaneamente ou necessitar de tratamento medicamentoso. O gato é a única espécie animal que comumente desenvolve uma síndrome de asma semelhante a aquela comum em humanos, com inflamação eosinofílica de vias respiratórias, bronco constrição espontânea e remodelamento de cias respiratórias. A bronco-constrição é processo reversível e possui resposta rápida a tratamento com bronco dilatador, como a terbutalina..

· Etiologia:

- Estudos demonstram que a doença se manifesta em uma faixa etária de 4 a 9 anos;

- Achados quanto à predisposição relacionada ao sexo foram inconsistentes;

- Gatos siameses são mais predispostos.

· Etiopatogenia:

Pode ocorrer desde bronco constrição provocada pelo aumento de reatividade de vias respiratórias e/ou aumento da produção de muco e hipertrofia da musculatura lisa com origem de inflamação da parede brônquica. Além disso ocorre ativação da resposta T-helper 2 levando a secreção de IL4,5 e 13 e subsequente recrutamento e degranulação de eosinófilos.

A inflamação contínua provoca lesão e destruição do revestimento epitelial das vias respiratórias, assim como metaplasia e proliferação do epitélio respiratório, hiperplasia de glândulas mucosas com produção de muco em excesso, hipertrofia e hiperplasia de musculatura lisa de vias respiratórias e alterações enfisematosas distais do parênquima pulmonar.

· Sinais Clínicos

Tosse; Síbilo; Respiração ruidosa; Respiração rápida ou laboriosa; Intolerância a exercícios físicos; Angústia Respiratória ou pode ser assintomático tendo quadros esporádicos de broco constrição.

· Diagnóstico

O diagnóstico primário se baseia no histórico clínico do animal, exame físico, radiografia, análise do lavado brônquico e broncoscopia para citologia e cultura de vias respiratórias.

· Radiografia

A radiografia de gatos asmáticos pode apresentar padrão brônquico, porém a ausência de tal padrão não descarta a doença. Alguns gatos também podem apresentar padrão intersticial não estruturado. Além de hiperinsuflação pulmonar, hipertransparência, aerofagia e lobos pulmonares colabados.

A atelectasia ocorre mais comumente no lobo pulmonar médio direito devido ao acúmulo de muco dentro do brônquio e também pela sua orientação dorso-ventral dentro da árvore brônquica e assim sujeita a maiores efeitos de gravidade. Na cronicidade pode haver o desenvolvimento de broncolitíase miliar que se mostra radiograficamente como um padrão nodular generalizado com diversas opacidades minerais.



· Citologia e Cultura de vias respiratórias

Na citologia o lavado bronco alveolar de gatos normais apresenta de 200 a 300 células nucleadas /microlitro, podendo chegar até 600 microlitros. Já no quadro inflamatório essa quantidade pode exceder 1500 células/microlitros. O tipo celular predominante no lavado de gatos normais são os macrófagos enquanto que no quadro de asma os tipos celulares predominantes podem ser eosinófilos ou neutrófilos.

Diagnósticos diferenciais

Bronquite não infecciosa crônica; Traqueobronquite parasitária; Traqueobronquite viral ou bacteriana; Pneumonia infecciosa; Doença pulmonar intersticial (geralmente idiopática); Doença cardíaca (Cardiomiopatia hipertrófica e congestiva); Neoplasia pulmonar e Dilofilariose.

· Tratamento

O tratamento tem como objetivo reduzir a contração da musculatura lisa de vias respiratórias (utilização de bronco dilatador) e diminuir a inflamação subjacente (utilização de corticosteroides).

Em quadros emergenciais é imprescindível a oxigenioterapia e a manipulação cuidadosa do paciente, além do uso de terbutalina via parenteral e fosfato sódico de dexametasona IV ou IM. No tratamento prolongado deve-se utilizar prednisolona reduzindo a dosagem semanalmente até atingir a dose de 5mg/gato a cada dois dias por um período de 2 a 3 semanas. Entretanto não se podem esquecer os efeitos colaterais que podem ocorrer como ganho de peso, diabetes melito e comprometimento da imunidade. Outro medicamento utilizado é a Fluticasona, um corticosteroide inalatório que possui maior tempo de meia vida e menor probabilidade de ser absorvido sistemicamente. Porém pode levar de 1 a 2 semanas para fazer efeito.

É importante ressaltar que cada inalador com dosificador aponta uma determinada dose por acionamento (“uma borrifada”), e cada frasco tem um número fixo de doses. Inaladores com dosificador requerem inalação profunda e lenta por parte do paciente. Esse tipo de inspiração precisa de um espaçador e uma máscara facial. Os espaçadores diminuem a quantidade de fármaco depositada na orofaringe. Após acionamento do inalador deve-se observar o gato fazer de 7 a 10 respirações na máscara, a fim de assegurar que o fármaco tenha sido inalado. Existe uma máscara com espaçador própria para gatos, a aerokat que possui um dispositivo que movimenta a cada respiração do animal auxiliando assim o tutor na contagem do número de inalações. Visando uma maior absorção do corticosteroide este deverá ser administrado cerca de 5 a 10 minutos depois do bronco dilatador. Entretanto, algumas bases vem em associação como é o caso da fluticasona (antiflamatório) associada ao salmenterol (broncodilatador) e tem ótima eficiência. A dose e frequência para manutenção deve ser adaptada a cada animal, pois observou-se que em alguns gatos era suficiente uma borrifada a cada dois dias e em outros duas borrifadas duas vezes ao dia. É de suma importância que o animal que estiver em crise aguda iniciar com administração de prednisolona e depois manter a fluticasona inalada quando os sinais estiverem diminuindo. Esta observação não está indo contra a frase anterior?




Observações

Os gatos com doenças de vias respiratórias anteriores precisam de tratamento crônico, quase sempre vitalício sendo assim o que pode ser feito para ajudar a prevenir os ataques de asma?

- Em caso de tutores fumantes evitar fumar perto do gato;

- Evitar o uso de perfumes com cheiro forte perto do gato;

- Não utilizar aerossóis ou difusores de ambiente em casa;

- Evitar que o animal fique obeso;

- Minimizar a exposição do gato a alérgenos externos como pólen, poeira e mofo.

· Referencias:

CAREY, A S et al Medicine. Feline Asthma: A Pathophysiologic Basis of Therapy 2011

LITTLE, S. O Gato: Medicina Interna. Rio de Janeiro: Editora Roca, 2016

LITTLE, S. August’s Consultations in Feline Internal Medicina. St. Louis: Elsevier. 7 edição, 2016

NAFE, L A Update, Diagnosis,& Treatment of Feline Asthma Veterinary Team Brief September 2017

NORSWORTHY, G.D., et al. The Feline Patient. 5th ed. Iowa: Wiley Blackwell Publishing, 2018

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