BABESIOSE

MV. Maisa de Carvalho


A babesiose é hemoparasitose causada por parasitas intraeritrocíticos nos animais domésticos que resultam em anemias progressivas. No cão a infecção se da por dois parasitos, a babesia gibsoni e a mais comum a babesia canis vogeli, que no Brasil ambas são transmitidas pelo carrapato Rhipicephalus sanguineus. A babesiose em felinos é menos comum do que cães e quando ocorre é causada pelo parasita Babesia herpailuri no Brasil, porém tem pouco impacto clínico em felinos.

O ciclo da doença acontece durante o respasto sanguíneo, ou seja, quando o hospedeiro vertebrado recebe a picada do carrapato que introduz a saliva contendo esporozoitos. A multiplicação no hospedeiro vertebrado acontece nos eritrócitos, por meio de divisão binária, endodiogenia, brotamento ou merogonia, originando os merozoítas. Os eritrócitos se rompem durante os repetidos ciclos e libera os merozoitas na circulação e estes invadem outros eritrócitos. As hemácias sofrem lise pela replicação do microrganismo intracelular ou pelas reações imunomediadas contra o parasita, sendo que é necessário um período de 10 dias a 3 semanas para que ocorra a incubação das infecções por Babesia spp.

A acelerada divisão do parasita nos eritrócitos produz rápida destruição das hemácias, resultando em anemia hemolítica extravascular ou intravascular, leva estimulação de macrófagos causando febre e hepatoesplenomegalia. Outros sinais clínicos apresentados são de acordo com o grau de infecção que pode se apresentar de forma subclínica, aguda, hiperaguda e crônica, com sinais clínicos como a febre, palidez de mucosas, taquicardia, taquipnéia, depressão, anorexia, fraqueza, icterícia, petéquias. Em casos mais crônicos pode levar a um quadro de coagulação intravascular disseminada, ascite, doença do SNC e cardiomiopatia em alguns casos atípicos.

O diagnóstico é realizado pelo histórico e exame clínico do paciente associado a exames complementares. A série eritroide do hemograma é uma das análises mais considerável para diagnóstico da doença por avaliar a anemia, que geralmente se apresenta imunomediada e regenerativa esferocítica. O teste da antiglobulina direta (Teste de Coombs Direto) auxilia no diagnóstico da anemia hemolítica imunomediada, apresentando alta sensibilidade e detecta imunoglobulinas e/ou complemento ligados à superfície das hemácias. Outros achados laboratoriais são: hiperbilirrubinemia, bilirrubinúria, hemoglobinúria, trombocitopenia, acidose metabólica, azotemia, gamopatia policlonal, proteinúria e cilindrúria, são achados comumente na doença.

O exame parasitológico direto em esfregaço de sangue periférico é um exame comumente realizado na rotina por ser barato e simples, também de fácil obtenção da amostra. A amostra sanguínea normalmente é coletada da pina da orelha e coxins, áreas bem vascularizadas e contendo hemácias menos deformadas pelo parasito e região com consequente acumulo de vasos de menores calibres como capilares e vênulas. Embora tenha baixa sensibilidade, possui alta especificidade na fase aguda. No entanto, vale ressaltar que a não detecção do parasita no esfregaço sanguíneo não confirma a ausência da infecção, frequentemente precisa associar exames complementares para o diagnostico.

Os testes sorológicos RIFI ou ELISA são úteis no diagnóstico de babesiose em cães, para identificar pacientes assintomáticos e diagnosticar infecções crônicas quando o nível de parasitemia geralmente está baixo ou não detectável no esfregaço de sangue periférico. O objetivo do teste de ELISA é detectar a presença de anticorpos circulantes, podendo obter resultado falso negativo em caso de doença precoce, contudo pode existir uma reatividade sorológica cruzada entre entre B. vogeli e B. gibsoni e se o objetivo é determinar a espécie do parasito infectante, esse exame não mostra de forma definitiva.

A imunofluorescência indireta (RIFI) apresenta alta sensibilidade e baixo custo, avaliada por titulação e quando este se apresenta alta é considerado consistente com sorologia positiva e indica diagnostico de exposição da doença, mas não esta necessariamente doente.

A reação em cadeia da polimerase (PCR) apresenta alta sensibilidade e especificidade, prova a infecção atual e pode ser utilizados para diferenciar entre as Babesia spp. Entretanto, como existem os portadores assintomáticos, os resultados positivos nem sempre se correlacionam com a doença clínica.

No tratamento é imprescindível a estabilização do paciente, instituindo fluidoterapia e transfusão sanguínea se necessário. O tratamento farmacológico é realizado com antiparasitário dipropionato de imidocarb realizando duas aplicações com intervalo de 15 dias, associado ou não a atropina devido o efeito adverso do medicamento que leva a bradicardia. Uso de corticoide para estabilização da anemia, que minimiza a destruição dos eritrócitos impedindo a progressão do quadro anêmico e suprimindo a atividade fagocitária do baço evitando a hemólise extravascular, com isso, os fármacos de escolha são a prednisona ou dexametasona. Se necessário, em caso de sintomas adjacentes como vômitos, o uso de antiemético pode ser necessário. O prognóstico da doença tende ser de reservado a bom, depende do avanço da doença no organismo do paciente, busca por tratamento e a responsividade ao tratamento.

A prevenção e controle de carrapatos deve ser realizada para evitar a Babesiose e também doenças que o mesmo vetor da doença transporta. Nos cães e gatos como prevenção de ectoparasitas pode ser usado comprimidos, soluções tópicas e spray, com aplicações mensais ou com intervalo de três meses conforme a bula e também coleiras repelentes. O controle ambiental também é imprescindível para não ocorrer novamente o ciclo do vetor e acarretar em novas infestações.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

COSTA JR, L.M. Aspectos epidemiológicos de hemoparasitoses caninas no Estado de Minas Gerais: utilização de métodos de diagnóstico direto, indireto e molecular. 2007. 109 f. Dissertação (Mestrado) – Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.

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