Técnicas “Pet Friendly” e “Fear Free” – Usando os 5 sentidos dos animais na rotina clínica

Atualizado: Set 16

Pollyana Torres Rubim Ferreira Silva

Residente em Clínica Médica de Animais de Companhia do Hospital Veterinário da UFMG


Técnicas de manipulação que geram um baixo nível de estresse em clínicas veterinárias estão se tornando importante área de pesquisa que visam melhorar o bem-estar animal no ambiente veterinário. Para tanto, podemos aproveitar dos 5 sentidos dos animais (visão, audição, paladar, olfato e tato) para promover um atendimento ou ambiente de internação que gere menos estresse aos pacientes.

· Visão:

Luzes claras ou constantes podem ser estressantes aos animais. O tapete lúcido (estrutura anatômica ocular) permite que cães e gatos percebam a luz em maior abundância que humanos, fazendo com o que pessoas consideram uma luz suave, ser brilhante e aversiva aos pets. Deve ser considerado o uso de luzes de 60W nas salas de exame e áreas de tratamento para obter uma luminosidade mais suave. O jaleco ou avental branco não é aconselhável, pois esses animais já podem ter estabelecido uma associação desse item com situações anteriores desagradáveis.

A linguagem corporal da equipe também é de muita importância, movimentos rápidos e súbitos devem ser minimos, uma vez que os animais podem se sentir ameaçados. Além disso, ao examinar os pacientes, deve-se incialmente evitar o contato visual e estabelecer uma postura adequada. Também é indicado cobrir as caixas de transporte, principalmente dos gatos, até que o veterinário esteja disponível para examiná-lo.

· Audição:

A música pode reduzir o estresse em animais e pessoas. Resultados de vários estudos sugerem que a música pode diminuir a expressão de comportamentos relacionados ao estresse em animais. Cães gastam menos tempo latindo e mais tempo descansando quando expostos à música clássica. Um estudo de Kogan et al (2012) comparou os efeitos de músicas em cães, os resultados sugerem que a música clássica leva os cães a dormirem mais e passarem menos tempo vocalizando.

· Paladar;

Petiscos ou alimentos úmidos podem ser utilizados como contra-condicionamento clássico (associar um estímulo desencadeador do medo, como uma vacinação, com uma nova resposta, que é incompatível com o medo). Ou seja, ao oferecer um alimento saboroso ao animal, haverá uma associação entre o ambiente da clínica ou hospital veterinário e a memória agradável. Os petiscos também podem ser úteis para a administração de comprimidos ou medicações líquidas com gosto desagradável, reduzindo o estresse de administração de fármacos aos animais.

· Olfato:

Cães e gatos podem detectar feromônios e odores que comunicam alarme ou estresse. Odores devem ser removidos limpando o ambiente entre os pacientes e utilizando eliminadores de odores de animais. O uso de feromônios, como o Adaptil® e Feliway®, no ar, mesa ou na roupa do pessoal pode ajudar a relaxar os animais. O Adaptil® é um similar sintético do feromônio natural que apazigua o cão e o Feliway® é um análogo sintético de um feromônio facial felino natural (FFP), desenvolvido para diminuir os comportamentos relacionados à ansiedade de gatos.

· Tato:

Deve-se evitar colocar os animais em superfícies geladas ou escorregadias. É indicado cobrir a mesa de exame de metal com toalhas, tapetes higiênicos ou com uma espuma macia para promover uma sensação mais confortável e calorosa. Pode-se utilizar uma esteira acolchoada quando os animais tiverem que ficar em decúbito ou no chão. Na internação, no interior das gaiolas, é interessante utilizar panos macios para cobrir o local para promover o descanso, temperatura ideal e prevenir que os gatos fiquem na liteira.


As técnicas “Pet Friendly Practice” e “Fear Free” são importantes para assegurar o bem-estar do animal no espaço veterinário. Além disso, a adoção dessas práticas gera um ambiente mais agradável para o pessoal da clínica veterinária e para os tutores. Pequenas alterações no cotidiano da clínica veterinária podem gerar um grande resultado que é benéfico para todas as partes. Tente essas técnicas na sua rotina e veja uma melhora do bem-estar de seus pacientes.

Referências bibliográficas:

GRIFFITHS, C.A.; STEIGERWALD, E.S.; BUFFINGTON, C.A. ‘Effects of a synthetic facial pheromone on behavior of cats. J. Am. Vet. Med. Assoc., v.217, p.1154–1156, 2000.

HERRON, M.E.; SHREYER, T. The Pet Friendly Practice: A guide for practitioners. Vet. Clin. N. Am. Sm. Anim. Pract., v.44, p.451-481, 2014.

KIM, Y-M.; LEE, J-K.; ABD EL-ATY, A.M. et al. Efficacy of dog-appeasing pheromone (DAP) for ameliorating separation-related behavioral signs in hospitalized dogs. Can. Vet. J., 2010; v.1, p.380-384, 2010.

KOGAN, L.R.; SCHOENFELD-TACHER, R.; SIMON, A.A. Behavioral effects of auditory stimulation on kenneled dogs. J. Vet. Behav., v.7, p.268-275, 2012.

SIRACUSA, C.; MANTECA, X.; CUENCA, R. et al. Effect of a synthetic appeasing pheromone on behavioral, neuroendocrine, immune, and acute-phase perioperative stress responses in dogs. J. Am. Vet. Med. Assoc., v.237, p.673–681, 2010.

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